domingo, 2 de agosto de 2015

Colorir o céu



 Eu acordei e o dia estava Rosa. Sim , mas não estava realmente, estava porque eu quis, estava pra mim. Mas a vida é assim, a saudade só persiste em quem permite. O sorriso não se esconde se o coração rir de bom grado. As estrelas sempre , sempre, elas sempre vêm festejar com você. De dia também , quem sabe?! Cada um tem o poder de querer , não é mesmo?! E eu quis. Mas nem tudo se compromete a ocorrer . Tem um traço do destino no seu caminho, e você tem que continuá-lo. Se não quiser, também não tem problema, você quem escolhe. Qual a cor do seu céu hoje? Ainda dá tempo de colorir. 




domingo, 21 de junho de 2015

Cor de amargo.




Não fiz questão de sentir o frio, apenas fingi que ele não existia. Não fiz questão de enxergar todas as estrelas da noite, porque achei que as que estavam na minha frente seriam mais bonitas. Eu perdi o tempo do pôr-do-sol, porque alguém me ofereceu um balão, não que eu não goste, mas teria tido uma foto impecável. Meu riso não foi o mesmo, não teve o mesmo gosto de sorvete, de baunilha ou de violeta. Aquele balão não daria nem pra me arrancar um sorriso num dia nublado. Tempo perdido não volta mais, não retrocede. Não dá pra devolver esse lindo balão cor-de-amargo, cor vazia, e era isso que ele parecia, um vazio. Talvez eu pudesse ter enchido até a tampa da minha alma com todas as cores do arco-íris de uma vez só. Mas o tempo não retrocede. Eu poderia ter virado cambalhota, dançado ou até entoado um canto em qualquer tom, só pra acompanhar a noite vindo. Aposto que a lua gostaria. Aposto que todos gostariam, e gostariam mais de mim sem aquele balão. Quando olhei pra trás, já era tarde o suficiente e as estrelas já estavam em suas posições de vigias, sabendo de tudo que fazemos elas me encararam e eu o fiz de volta. Num suspiro profundo uma lágrima sem rumo caiu dos meus olhos, pairando sobre aquela bola sem vida que eu levava. Minha lágrima tinha o brilho de uma estrela ainda nova, ainda sem sua explosão, e eu era isso. Sinceramente, odeio o ódio. Abracei com todo carinho aquele balão-sem-futuro, até que sim, ele, explodisse. Gentilmente lhe dei um obrigada , oras ! Sem ele, imagine , poderia ter perdido coisas melhores , poderia perder o quebrar das ondas, o vento delicadamente batendo nas árvores enquanto faz voar suas folhas. Poderia perder um dia inteiro, ou quem sabe noite. Poderia perder algo cor de vida. Poderia perder um abraço de amigo. Poderia perder um sorriso bobo de alguém com saudades. Poderia perder uma gargalhada sem razão. Poderia perder a minha , vida. Obrigada.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

malmequer



 Meu erro foi dar espaço ao tempo, tempo que não desiste de perseguição. Faz parte do erro ser fardo, faz parte do tempo não ser ausente. A consciência pode pesar mais do que a sanidade às vezes.  
Eu me perdi numa noite fria. Estrelas queimavam como nunca, num brilho intenso em branco, branco por todos os lados, a neblina não estava fora de cena.
 Eu me senti uma noite fria.
 Me senti a pétala arrancada de uma ingênua rosa, sendo despedaçada por um "malmequer". Não senti saudades de nenhum cheiro comum. Aliás, onde podia encontrar? Um abraço amigo, um sorriso de bom gosto. Tem vezes em que estamos onde não existe, tem lugares que não existem aqui. A ligação de todos os lares e laços por dentro de cada um, seria mais difícil de entender do que o porquê de eu estar aqui hoje. E com certeza eu não o saiba, e nem queira. Não é de boa educação descobrir surpresas antes que sejam realizadas. 
 Fechei os olhos, por um instante, descobri que me sentia segura no escuro. Talvez tivesse revelado um leve apelo à solidão. Me lembrei de estar em um lugar público, me vi de volta ao mundo. Não que eu esteja chateada em estar aqui, pelo contrário. Mas é sempre mais fácil encontrar menos tristeza no escuro. A solidão não é triste, tantos corações vazios, sim. 
Tem vezes em que vagar por um labirinto de olhos tampados é mais seguro do que com eles guiados. 
 Eu não duvido da pureza, sinceridade e amor de cada um. Eu não duvido da possibilidade humana de amar, de cuidar. Eu não duvido do sorriso que me dão em sinal de bom dia, não duvido de cada " que dia difícil" , eu não duvido da amizade. Não duvido que quase sempre, o pior caminho leva ao melhor resultado. Duvidar não é prático, praticidade sim . 
 A escuridão não se importa com a falta de claridade, com a falta de música, com a falta de gente. A noite completa a sua própria solidão, torna-a sem dor, lágrimas ou chuva. Só que solidão, nem sempre é uma opção, egoísmo sim. 
 Talvez tenha sentido falta de algum cheiro comum essa noite, um abraço que me mantenha segura, algum sorriso que se auto declare "o mais bonito do mundo", não pela estética, mas pelo carinho. Independentemente da música que toque durante meu quarto sonho, às 4 da manhã, eu posso apostar um pedaço de suspiro que sim, eu vou estar correndo, numa noite qualquer- por que não essa?- haverá branco de estrelas e neblina, e por estar sem enxergar, num pulo ou em outro, acabo tapando meus próprios olhos e percebo então, a segurança que sinto em mim mesma. Sonhos são viagens da alma, pra saudade não machucar o coração. Eu continuo seguindo sem saber o caminho, de olhos fechados. Apenas não precisei abri-los pra ter certeza, de quem vinha o abraço que não queria me deixar sozinha.
 Solidão nem sempre é uma opção.
 Meu erro foi dar espaço ao tempo, tempo que não desiste de perseguição. Faz parte do erro ser fardo, faz parte do tempo não ser ausente.