quarta-feira, 1 de março de 2017

O que é seu corpo?






 O que é seu corpo? Essa parte quente que pulsa, te diz vivo, te faz mulher, homem, criança. O que é seu corpo? Esse meio de se expressar, de dançar quando tocam sua música favorita, de abraçar quando a saudade é sanada, de ir embora quando tudo fugir do controle. O que é seu corpo? Esse seu eu que tem que se controlar, se adequar, ser padronizado, enfeitado, ser humano. O que é ser humano? O que é ser um corpo? Na minha ponte entre entender e preferir fingir ignorância, prefiro pensar em embalagens, em refil, em algo que não vá se perder, desde que o conteúdo sempre precise ser utilizado. E ele precisa sim. Eu preciso sim. E todo mundo. Dentro de um corpo, cada pedacinho de nós somos um produto, indefinível, indistinguível, inigualável, ou quaisquer palavras que comecem com "in" que se queira dizer por hoje. Só não me venha com inocência, nós dois sabemos que tem coisas que se perdem com o tempo de uso, e essa com certeza, é uma dessas coisas.



 SETENTA, OITENTA, quem sabe uns NOVENTA? Diabetes, osteoporose, hipertensão, obesidade, anemia, anorexia, depressão, abandono, incapacidade. Bem, voltamos aos "in". Nem tudo vem com a idade, as embalagens sofrem danos com o tempo, sim, tem coisas que não dá pra prever, mas tem aquelas as quais entendemos bem. Quando se inicia, o pote inteiro, a embalagem sem uso, lacrada, as mãos que seguram o bebê enlaçam-no, e fazem com que se sinta seguro, e ele está. O mundo o faz correr, andar, produzir, trabalhar, dinheiro, família, dinheiro, tempo que se foi, trabalho, dinheiro, família. Tem vezes em que duramente, os substantivos param de seguir uma sequência lógica, mas tudo bem, não queremos misturar linguagem com cálculo por hoje, mas apenas nos livrar dos "in" que nos faz sentir inferiores. E esse é o problema, não somos. Pense que depois de um tempo, a embalagem não tem o mesmo prazo do produto, a embalagem não o adéqua mais como deveria e não é simples como parece, apenas jogá-la fora. E vamos fazer o que? O produto tem de ir junto, mesmo que ainda esteja em condições de dizer "não me deixe". Vamos fazer o que? Às vezes os custos com manutenção não compensam só pra ouvir uma ou outra palavra a mais. E então? Vamos fazer o quê? Tem terra, buraco, alguns metros. Tem fogo, cremação, algumas cinzas. Tem toda uma vida que se passou, mas não vai voltar. Talvez volte, de outra forma, em outra embalagem, com o mesmo produto, o mesmo olhar, o mesmo desejo de fazer tudo diferente, de não seguir os outros, mas é difícil. O corpo não é tão fácil de ser controlado, e afinal de contas, o que é seu corpo?

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Um comentário:

Jessica Gracelli disse...

Parabéns rafa pela reflexão!