quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Plural


Talvez o mundo não passe de uma criação ínfima de um mundo colorido e perfeito, de um mundo que não exista. Talvez ao abrirmos nossos olhos, podemos ver um mundo só nosso, diferente de cada um, com cores só nossas, onde meu rosa é completamente azul, onde meu céu é completamente meu, e minha vida, completamente minha. Ninguém é obrigado a sentir a luz, mas ela brilha sem cessar, dia, noite, estando os olhos cobertos ou não. A vida é questão de percepção. Não me obrigaram a esquecer cada pedaço de caminho que tracei, e não o fiz. Mas de acordo com os fatos, percebo que eles se juntam um a um, para formar uma nova trilha, e eu não acho difícil segui-la . Na verdade quando me dou conta já estou em ilha diferente, solta, levada pelas ondas, cercada por ondas, mas as mesmas ondas que me trouxeram me levarão de volta? É fácil se perder, o foco não aceita plural, ele é pessoal, impessoal ou plural? Plural é a decisão do início daquela onda, que começou pequena, sozinha, e por força que tinha obrigou cada parte daquele mar a se juntar a ela, eu não era onda, eu não era mar, mas eu me juntei a ela, sem querer, sem julgar, fui pelo plural deixada no singular. Singular espaço de uma ilha, pequena, mas boa. Há muitos sentidos em boa, aquela areia fina era um desses.