domingo, 31 de janeiro de 2021

Renascer


E quando olho pra mim, ainda te vejo. 

Seu sorriso, olhar e seu jeito de me fazer rir. Alegre e inconstante, seu desvio de caráter pra me roubar o sorvete e seu jeito meigo de me pedir pra tirar a roupa de manhã. 

Apaixonada e não somente, pela sua forma de lavar o rosto no banho e ficar tímido se eu te reparar demais. E será essa a hora de retomarmos o que começamos?

Acho que não preciso perguntar. Apaixonada pelo seu beijo e seu ritmo. Seu jeito de dizer que sou "só sua" ou então de sentir cíumes. E sabe como é? Quem ama sente ciúmes. 

Sua presença me completa e é mais do que isso, preenche. De uma forma que a presença de outras pessoas às vezes já não significa mais. 

Eu queria a metade da laranja e conquistei uma jarra. 

Se isso seria bom? 

Quando olho pra mim, ainda te vejo, na minha dor, insônia e amar sem amor. 

Claro, seus olhos sempre me disseram que ali era minha segurança, e não me importou muito se ninguém mais gostava de você ou se fazia algo que eu não sabia. Eu também sempre soube que era um pouco doida.Você me disse. 

Quando olho pra mim, ainda te vejo, quando não acredito em mim, quando invento histórias ou quando busco menos do que mereço. 

Eu tapei os olhos e ouvidos pra não entender o abc que estava na minha frente e mesmo se desconfiasse e buscasse na lupa, eu mesma, eu duvidava de mim. Eu sempre fui um pouco doida, por que agora seria diferente? 

Apaixonada e grata. Era como eu deveria me sentir. Afinal, não era exatamente isso que um "príncipe" deveria fazer? Era 100% agradada. Não deveria me importar, ciúmes todo mundo tem e amigos? Seus amigos não se importam com você. 

Por vozes, por mensagens, por ligações e até quem sabe por vibrações, recebi, percebi e repeti o ciclo sem fim da autodistruição em não acreditar nos próprios instintos ou referências. 

Me ceguei por você, e no fundo por mim. Não quis acreditar que você nunca existiu. 

Eu te fantasiei na minha cabeça, e encobri cada cena com um perfeito enredo. Mas mal podia imaginar, que o maior papel quem fazia era eu mesma, e olha que nunca gostei muito de palhaços. 

Me perguntei mil vezes: como você poderia fazer isso comigo?
Mas hoje me pergunto: como eu pude fazer isso comigo? 

Não é fácil desacorrentar das crenças, das conversas, da âncora que tinha no seu porto-seguro de areia movediça. 

Quando olho pra mim, não mais te vejo. 

E aqui vai meu muito obrigada. Por me fazer duvidar dos meus sentidos, da minha visão, audição e até do que sentia. Por me fazer duvidar da minha sanidade e por me medicar, por que eu só poderia ser louca, não é mesmo? 

E hoje acho que fui sim. Louca em duvidar de mim e de todos. 

Obrigada. Hoje encerra a menina que você brincou nesse teatro que insiste em chamar de vida. Hoje encerra suas cenas de poesia em que a única morta, é Julieta. Hoje encerro meu papel no prefácio da minha vida: "Como me tornei quem sou". 

Em sangue, lágrimas e desgastes morre a louca e roteirista para nascer a mulher que acredita em si e cheia de vida. E a única coisa que você terá a certeza, é que nunca conhecerá essa mulher.

Cap.1 Renascer.